Quase como uma brisa … Mas quente… tão quente que quase me queimava.
Olhaste-me.
Assentiste com a cabeça, deste-me aquele teu olhar, deixaste-me os pensamentos á flor da pele.
Quase que te cheirava a respiração…
Estava completamente perdida nas páginas da minha imaginação. Quando de um arrombo, tocaste-me…
Sim, tocaste-me, encostaste a tua mão na minha pele…Senti-te quente.
Tão quente que me deixaste gelada…
Sussurraste-me ao ouvido, toda eu tremi… tremeram-me as pernas, tremeram-me os braços, tremeu-me a voz…
Num instante estava encostada a parede… A tua mão no meu cabelo, que arrepio…
Senti as tuas formas, senti a tua fonte de vida palpitante no meu ser, um jubilo de loucura, um grito que queria sair, uma força que me impedia de fazer o que quer que fosse…
Viraste-me. Olhaste-me de cima a baixo. Podia ver o teu olhar a percorrer cada centímetro da minha pele.
Cruzaste as minhas mãos ao cimo da cabeça, beijaste-me os braços, depois os ombros, o pescoço… hmmmm… estava a entrar naquele transe que tanto gostas…
Fechei os olhos, deixei-me conduzir, como um tango que soava no meu ouvido.
Fitaste-me os olhos, neles podias ver o bailado de imagens que percorriam o meu pensamento, sorriste. Percebeste claramente o que me atravessava a mente…
Empurraste-me para cima do sofá. Mudaste a expressão.
Fiquei assustada confesso.
Rasgaste-me a blusa de cetim vermelha que tinha comprado a semana passada contigo, (percebera agora o porquê da insistência…), olhaste-me como um lobo olha a presa.
Estava encurralada, não tinha para onde fugir, também não queria. Queria ver até onde iria essa tua rebeldia.
Agarraste-me os pulsos, beijaste-me a boca dum gole só. Engoliste a minha alma com um beijo, sentiste toda a minha vontade de te ter ali, naquele momento.
Passaste as tuas mãos pelo meu peito, paraste para sentir a minha pulsação descontrolada, beijaste-me o peito todo, milímetro a milímetro, sem esquecer espaço algum…
Detiveste as tuas mãos na minha cintura, fina como uma vespa.
Desenhaste o meu corpo tal pintor com uma tela vazia e a imaginação no máximo da fertilidade.
Subiste-me a saia, travada, curta, preta…
Senti as tuas mãos quentes nas minhas pernas…
Rasgaste-me as meias de liga pretas rendadas, que tanto gosto me faziam. Olhei-te como quem pergunta “o que falta?”.
Perguntaste em tom brusco:
- Não me queres?
- Sim quero-te.
- Não te ouvi!
-Sim! Quero-te muito!
Apertaste-me as pernas com mais força…Atrevo-me a dizer que me magoaste.
Mas aquela dor boa…
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Amanhã continuo, neste momento estou a trabalhar e não me posso entusiasmar….


